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Ameaça Verde: Estratégias Essenciais para a Sobrevivência dos Pomares de Cítricos

A citricultura enfrenta um dos seus maiores desafios: o greening, uma doença devastadora que ameaça a vitalidade dos pomares. Este artigo detalha a complexidade dessa ameaça, explorando como a união de esforços e a inovação tecnológica são cruciais para proteger o futuro da produção de cítricos.

Cultivando o Futuro: Superando o Desafio do Greening com Ciência e Colaboração

Ascensão Preocupante da Doença e os Impulsionadores de sua Disseminação

O Fundecitrus revelou um aumento de 7% na ocorrência de greening entre 2024 e 2025, alcançando 47% na área de cultivo de cítricos. De acordo com o engenheiro-agrônomo Arthur Tomaseto, a permanência de árvores doentes nos campos foi um fator chave para essa aceleração. A decisão de muitos agricultores de manter plantas produtivas, mesmo infectadas, devido a preços de mercado favoráveis em 2024, inadvertidamente alimentou o ciclo de propagação da doença. Além disso, as variações climáticas desempenharam um papel importante. Apesar de uma diminuição de 40% na população de psilídeos em 2023 e no início de 2024, graças a ondas de calor e melhorias nas práticas de manejo, o clima mais ameno no segundo semestre criou um ambiente propício para a proliferação bacteriana e novas infecções.

Vulnerabilidade Regional e a Necessidade de uma Resposta Coletiva

O cinturão citrícola, que abrange São Paulo e parte de Minas Gerais, revela uma distribuição desigual da doença. Regiões como Limeira, Porto Ferreira, Duartina, Avaré e Brotas são pontos críticos, com incidências significativamente acima da média. Essas áreas compartilham condições ideais para o desenvolvimento de cítricos, da bactéria e do psilídeo, além de uma alta concentração de produtores com diferentes níveis de manejo e a proximidade entre os pomares. Dado que o psilídeo pode se deslocar por vários quilômetros, a implementação de um manejo regionalizado é indispensável. Em Limeira, por exemplo, a incidência beira os 80%, tornando evidente a urgência de ações conjuntas.

Abordagem Integrada: A Chave para a Contenção do Greening

Para o engenheiro-agrônomo Arthur Tomaseto, a luta contra o greening exige uma estratégia multifacetada que inclua o uso de mudas saudáveis, a remoção de plantas com sintomas e o controle rigoroso do psilídeo. No entanto, essas medidas são insuficientes se aplicadas isoladamente. A cooperação entre produtores, associações e municípios é fundamental, especialmente considerando o raio de segurança de 5 km necessário para conter a dispersão do psilídeo. Desde 2018, o “controle externo” tem sido vital, com a substituição de quase 6 milhões de plantas hospedeiras em áreas não comerciais, evitando que se tornem focos de infecção. A reinfeção constante também é um problema grave, acelerando a perda de produtividade das plantas. Por isso, manter o controle do psilídeo é crucial, mesmo em áreas de alta incidência, e a erradicação imediata de plantas doentes é essencial em regiões com baixa incidência.

O Papel dos Biológicos e a Pesquisa por Soluções Inovadoras

Embora os agentes biológicos e bioinsumos sejam valiosos no manejo de pragas, o greening exige um controle quase absoluto. Um único psilídeo infectado pode comprometer todo um pomar, o que torna o controle biológico isolado insuficiente, segundo Tomaseto. A recomendação é utilizá-los como parte de uma estratégia integrada para fortalecer a resistência e diminuir a dependência de inseticidas. Além disso, a pesquisa avança em novas frentes, como a identificação de parentes da laranja resistentes ao greening na Oceania e a engenharia genética de laranjeiras para produzir cariofileno, um repelente natural encontrado na goiabeira. Essas laranjeiras “com cheiro de goiaba” já estão em fase de testes, apresentando resultados promissores na redução do pouso do inseto e da incidência da doença.

Perspectivas Futuras: Consciência Coletiva e Inovação para a Resiliência

Arthur Tomaseto conclui com a mensagem de que, embora o manejo do greening tenha evoluído, o sucesso depende de rigor, regularidade e uma consciência coletiva forte. A escolha estratégica da área de plantio, a aplicação consistente dos três pilares de controle e a participação ativa no manejo regional são indispensáveis para a sobrevivência da citricultura. Enquanto as variedades resistentes e as inovações biotecnológicas se desenvolvem, a colaboração e a vigilância contínua permanecem como as ferramentas mais poderosas para garantir um futuro próspero para os pomares de cítricos.

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