A Influência da Certificação na Qualidade dos Hortifrútis Brasileiros

A maior parte dos hortifrútis disponíveis para compra no Brasil adere a critérios rigorosos de segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e respeito social, por meio de sistemas de certificação. No entanto, o consumidor, ao selecionar esses produtos, geralmente não está ciente dos processos detalhados pelos quais eles passaram. Um dos selos mais reconhecidos globalmente é o Global G.A.P. (Boas Práticas de Agricultura), que valida a adoção de métodos agrícolas responsáveis, protegendo tanto o meio ambiente quanto os direitos dos trabalhadores. Especialistas na área, como Camila Schorr Reinert, auditora e consultora do Global G.A.P., e Patrícia Cesarino, gerente da Ascenza Brasil, enfatizam a relevância dessas certificações, apesar de a informação sobre elas raramente chegar diretamente ao consumidor final nas embalagens, limitando-se, por vezes, à nota fiscal.
Apesar de o mercado interno ainda não refletir plenamente essa valorização no preço final, a certificação Global G.A.P. confere grande vantagem competitiva aos produtores, sendo uma exigência básica para exportações. Além disso, a implementação dessas normas fomenta uma cultura de organização e registro detalhado de todas as etapas da produção, desde a origem das sementes até o transporte dos produtos. Isso garante maior controle e rastreabilidade, assegurando a conformidade com as regulamentações e a qualidade dos alimentos. Curiosamente, essa certificação não se restringe a grandes propriedades; mais de 80% das certificações Global G.A.P. no Brasil são concedidas a produções de até três hectares, incluindo a agricultura familiar, demonstrando sua aplicabilidade em diversas escalas e para diferentes culturas, como abacate, tomate e diversas folhosas.
A transparência sobre a certificação de hortifrútis é crucial para capacitar o consumidor a fazer escolhas mais informadas e conscientes. Ao entender os benefícios dessas práticas, como a redução da contaminação e a promoção de uma produção mais ética e sustentável, os consumidores podem impulsionar a demanda por esses produtos, incentivando ainda mais os produtores a adotarem e manterem altos padrões de qualidade. Essa valorização pode, eventualmente, traduzir-se em reconhecimento financeiro para os agricultores, consolidando um ciclo virtuoso que beneficia toda a cadeia produtiva e, em última análise, a saúde pública e o meio ambiente.
