Inovação Cítrica: Variedades Precoces Revolucionam a Indústria de Suco no Brasil
A citricultura brasileira está prestes a dar um salto significativo com o lançamento de duas novas variedades precoces de laranja-doce, desenvolvidas em parceria por instituições renomadas como a Embrapa, o IAC, a FCC e o Fundecitrus. As cultivares Kawatta e Majorca, selecionadas por seu alto rendimento, excelente qualidade de suco e adaptabilidade a diferentes regiões do estado de São Paulo, serão apresentadas oficialmente durante a 50ª Expocitros, marcada para 3 de junho.
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Introdução de Variedades PromissorasAs variedades Kawatta e Majorca, introduzidas respectivamente do Suriname e da Flórida, vêm sendo avaliadas desde os anos 1990 e se destacam frente às já consagradas Hamlin e Valência Americana. Ambas apresentam características que atendem às demandas da indústria processadora de sucos NFC (Not From Concentrate), como coloração mais intensa, maior teor de sólidos solúveis, acidez equilibrada e excelente perfil sensorial.
Vantagens Agronômicas e IndustriaisDe acordo com o pesquisador Eduardo Girardi, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, as novas variedades atingem produtividades superiores a 30 toneladas por hectare, mesmo sem irrigação. Além disso, são compatíveis com os principais porta-enxertos, como limão Cravo, citrumelo Swingle e tangerineira Sunki. A maturação ligeiramente mais lenta que a da Hamlin facilita o escalonamento da colheita, uma estratégia valorizada pelos produtores.A engenheira agrônoma Camilla Pacheco, da Citrosuco, destaca que as novas cultivares respondem a uma necessidade crítica da indústria: sucos com maior valor agregado, mais sabor e menos amargor - algo difícil de alcançar com as variedades precoces atualmente disponíveis.
Histórico de Pesquisa e DesenvolvimentoA Kawatta foi introduzida no Brasil em 1969 e a Majorca, no fim dos anos 1980. Ambas foram inicialmente incorporadas ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Citros do CCSM/IAC e passaram por um processo de microenxertia e limpeza clonal. O trabalho se intensificou com a participação da Embrapa, que testou os materiais em diversas regiões paulistas por 14 safras, demonstrando sua adaptabilidade tanto ao sul quanto ao norte do estado.A pesquisadora Marinês Bastianel ressalta a coloração intensa da polpa da Kawatta e os elevados teores de vitamina C na Majorca. Essas características as tornam versáteis, podendo ser aproveitadas tanto para suco quanto como frutas de mesa.
Lançamento e DistribuiçãoO material propagativo das novas cultivares será disponibilizado aos viveiristas no segundo semestre de 2025, em parceria com o IAC. As borbulhas serão fornecidas para formação de matrizes nos viveiros, que, por sua vez, produzirão as mudas finais para comercialização.Essa iniciativa está em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2 da Agenda 2030: "Fome zero e agricultura sustentável". A Embrapa reforça, assim, seu compromisso com a segurança alimentar, a sustentabilidade e a inovação tecnológica no campo.

