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Vírus do Mosaico Marrom do Tomateiro: Ameaça Emergente e Soluções Inovadoras

O Vírus do Mosaico Marrom do Tomateiro (ToBRFV) é uma ameaça emergente que vem se espalhando rapidamente por diversas regiões agrícolas ao redor do mundo. Esse tobamovírus (família Virgaviridae) causa sérios danos aos cultivos de tomate, afetando a aparência e a qualidade dos frutos, além de sintomas nas folhas e caules. Compreender os desafios e as estratégias de prevenção e controle é fundamental para proteger a produção de tomate e minimizar os prejuízos econômicos.

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Condições Propícias à Proliferação do ToBRFVO ToBRFV encontra condições ideais para se proliferar em cultivos protegidos, como estufas e túneis, onde a manipulação intensa das plantas favorece a disseminação do vírus. A alta umidade e a ausência de higienização adequada também contribuem para a persistência do vírus em ferramentas e nas mãos dos trabalhadores. Além disso, o uso de sementes contaminadas ou mudas sem certificação fitossanitária e a polinização por abelhas da espécie Bombus terrestris (não utilizadas no Brasil) podem atuar como vetores, espalhando o vírus entre as flores.

Sintomas Devastadores e Perdas SeverasOs sintomas do ToBRFV são facilmente identificáveis, com a presença de mosaico, enrugamento e clorose nas folhas, além de manchas marrom-rugosas, irregularidade na forma e coloração, frutos murchos e não comercializáveis nos frutos. Essas características comprometem a aparência e a qualidade do produto final, resultando em perdas que podem chegar a 100% da produção, dependendo do nível de infestação.

Impactos Econômicos DevastadoresOs prejuízos causados pelo ToBRFV podem ser devastadores, especialmente considerando os altos custos envolvidos na cultura do tomate. Desde a aquisição de sementes e mudas, passando pelos investimentos em adubos, defensivos, operações de plantio, condução, colheita e frete, os custos de produção podem ultrapassar R$ 30.000,00 por hectare no tomate rasteiro e até R$ 100.000,00 por hectare no tomate de mesa (envarado). Diante de perdas tão expressivas, os danos econômicos podem ser irreparáveis, colocando em risco a viabilidade da atividade.

Estratégias de Prevenção e ControlePara prevenir e controlar o ToBRFV, é essencial adotar medidas rigorosas de biossegurança. O uso de sementes testadas e certificadas via RT-PCR ou ELISA, a higienização minuciosa de pessoas, ferramentas e instalações (com desinfetantes como o hipoclorito e tratamento térmico de bandejas), a rotação de culturas e o isolamento de áreas contaminadas são algumas das principais ações a serem implementadas. Além disso, a capacitação da equipe e a adoção de protocolos padrão de biossegurança são fundamentais para o sucesso dessas estratégias.

Identificação de Genes de Resistência e Melhoramento Assistido por MarcadoresPesquisadores têm investigado espécies selvagens de tomate, como Solanum habrochaites e S. peruvianum, em busca de genes associados à resistência ao ToBRFV. Esses genes são avaliados quanto à sua eficácia em impedir a entrada, replicação ou movimentação do vírus nas plantas. O melhoramento assistido por marcadores moleculares (MAS) permite o rastreamento eficiente desses genes de interesse, acelerando o processo de cruzamentos e eliminando a necessidade de aguardar o desenvolvimento e infecção da planta.

Empilhamento de Genes: Uma Barreira Mais EfetivaEmpresas privadas têm aplicado a estratégia de combinar múltiplos genes de resistência em uma mesma cultivar, criando uma barreira mais efetiva contra a adaptação viral. Essa abordagem reduz as chances de o vírus superar a resistência da planta. Além disso, organizações de pesquisa avaliam o potencial do sistema CRISPR/Cas9 para a inativação de genes do tomateiro essenciais à replicação viral, como SlTOM1 e SlTOM3, possibilitando o desenvolvimento de plantas imunes de forma natural, sem a introdução de sequências genéticas exógenas.

Novas Cultivares Resistentes: Mantendo Características EssenciaisEmpresas afirmam que as novas cultivares resistentes ao ToBRFV mantêm características essenciais, como brix, sabor, cor, forma e pós-colheita, similares às variedades comerciais. Já existem cultivares resistentes disponíveis no Brasil, especialmente para o tomate envarado cultivado em estufas, com resistência intermediária ou alta, adaptadas a diferentes regiões e necessidades do mercado. Para potencializar essa resistência, é fundamental adotar protocolos rigorosos de biossegurança e garantir que as áreas se mantenham limpas e devidamente isoladas. O monitoramento sistemático e o treinamento regular da equipe envolvida também são medidas cruciais.

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