Fim da Tarifa de Exportação dos EUA Revigora Setor Hortifrúti Brasileiro

A recente suspensão da tarifa imposta pelo governo dos Estados Unidos representa um alívio substancial para o setor de hortifrúti brasileiro. Essa medida unilateral, que aplicava uma taxa de 50% sobre as importações, causou uma significativa desaceleração nas exportações para o mercado norte-americano. Com o fim dessa barreira comercial, produtores e exportadores esperam uma rápida recuperação do volume e dos preços, permitindo a retomada do crescimento e a estabilização das relações comerciais que foram abaladas nos últimos meses.
De agosto a outubro deste ano, o impacto da tarifa foi particularmente severo para diversos produtos agrícolas brasileiros. As exportações de manga, por exemplo, registraram uma perda de 40% em valor, apesar de um aumento no volume embarcado. A castanha-do-pará sofreu uma queda ainda mais drástica, com uma redução de 94% no volume exportado. Outros produtos como uva, café e gengibre também sentiram os efeitos negativos da sobretaxa, resultando em diminuição de volume e, em alguns casos, de faturamento.
O especialista Renato Francischelli, diretor nacional da Ascenza Brasil, enfatiza que o mercado dos EUA é crucial para as frutas brasileiras. A remoção da tarifa abre caminho para restaurar a dinâmica bilateral de comércio, permitindo que o setor respire e retome seu desenvolvimento. A ausência da sobretaxa facilita o escoamento dos produtos, promove preços mais justos e garante condições para a sustentação da produção. Para muitos agricultores, essa mudança é decisiva entre investir ou retrair-se, oferecendo a oportunidade de reconstruir laços comerciais e reafirmar a presença da fruta brasileira nas prateleiras internacionais.
Apesar da queda de 40% no valor das exportações de manga para os Estados Unidos entre agosto e outubro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024, o volume embarcado para o mercado norte-americano cresceu 41%, atingindo 31,8 mil toneladas. No entanto, o preço por quilo caiu de US$ 1,30 para US$ 0,78, evidenciando a pressão sobre as margens dos exportadores. A castanha-do-pará e as uvas também foram duramente atingidas, com reduções expressivas nos volumes exportados e nos valores de venda.
A tarifa, que vigorou de 6 de agosto a 20 de novembro, levou os exportadores brasileiros a buscar novas oportunidades em mercados alternativos na Europa, Ásia e América do Sul. Mesmo com as condições desfavoráveis, muitos optaram por manter as exportações para os EUA, aceitando preços mais baixos para evitar o acúmulo de estoques, a perda de produção e o enfraquecimento das relações comerciais existentes. Essa estratégia defensiva buscou mitigar danos de longo prazo e assegurar a competitividade dos produtos brasileiros no cenário global.
O episódio do tarifaço serviu como um alerta para os produtores brasileiros sobre a necessidade de estarem preparados para imprevistos que fogem de seu controle direto, como políticas comerciais internacionais. A capacidade de resposta rápida e a adaptação a novas condições de mercado são essenciais para preservar a competitividade e a presença do Brasil no comércio exterior de produtos agrícolas. Com a remoção da tarifa, o mercado internacional tende a se reajustar gradualmente, abrindo novas perspectivas para o setor.
